• Vivi Bettoni

Acessibilidade além do olhar

Atualizado: 12 de Ago de 2019

Uma visão que vai muito além...

Quando falamos em acessibilidade, logo nos vem à mente rampas, elevadores, rebaixamentos de guia, suportes, escrita em braile... algo que serve como possibilidade de alcance para utilização com segurança e autonomia em locais, equipamentos mobiliários, transporte, e serviços, mas o sentido de Acessibilidade vai muito além.


Vamos conhecer um pouco sobre a acessibilidade como meio físico de acesso para as pessoas com deficiência e/ou mobilidade reduzida.


A versão da Constituição Brasileira, publicada em 1988 já continha leis para ajudar resguardar os direitos das Pessoas Com Deficiência (PCD), e a partir dela foram surgindo várias outras leis e normas que visavam garantir a acessibilidade e inclusão porém mais voltadas ao mercado de trabalho.


Nos anos 2000, foi lançada a primeira lei voltada integralmente à acessibilidade (Lei n. 10.098), contemplando área urbana, transporte e comunicação, buscando garantir a autonomia dos PCDs. Em 2004 um novo decreto (n. 5296) reforçou os parâmetros da Lei n. 10.098 trazendo as Normas Técnicas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) como parâmetros para acessibilidade com foco na elaboração de projetos, construção e adaptação de edificações.


Hoje o Estatuto da Pessoa com Deficiência, também conhecido como LBI (Lei Brasileira de Inclusão) é uma das leis mais completas sobre acessibilidade no Brasil, aprovado em 2015 e posto em vigor em 2016, complementando assim a Lei n. 10.098.


Quando se deseja projetar, construir ou adaptar um local, há normas específicas e pré-estabelecidas para isso; o profissional da área que conduzir o trabalho se baseará nas normas já existentes e deverá cumprir criteriosamente as especificações.


Mas quando “aplicamos a acessibilidade”, além de darmos possibilidade às pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida ir e vir com autonomia e segurança, permitimos que elas vivenciem o meio da mesma forma que todos; um bem estar imensuável que os retorna a esperança, a vontade de vencer as dificuldades e o sentimento de inclusão real.


Imagine um local de trabalho, uma escola ou qualquer local público com alguns andares, com escadaria, cada andar com uma funcionalidade.... imaginou? Agora imagine uma pessoa com mobilidade reduzida, ou usuário de cadeira de rodas precisando acessar tais andares e não há rampa, elevador... como terão autonomia para realizar suas atividades?


Pensar na acessibilidade além da obrigação em lei, é algo que todos deveríamos fazer, e a preocupação e implementação dessa acessibilidade gera resultados bastante positivos quando nos referimos ao meio social e, além de possibilitar a inclusão, gera mudança cultural impulsionando atitudes mais colaborativas, o respeito e o “se por no lugar do outro”, consequentemente desenvolve novas habilidades sócio-emocionais em todos ao redor.


Como ainda é comum ver lugares de alta circulação sem condições de acessibilidade além da “porta de entrada” !!!... Ainda presencio muitos bancos por exemplo, sem caixas eletrônicos adaptados para receber usuário de cadeira de rodas, pessoas com mobilidade reduzida, nanismo... muitas lojas sem o balcão baixo...


E supermercados? Conversando com minha prima Janaina, arquiteta com nanismo acondroplásico, me colocou situações que passa diariamente ao buscar sua autonomia nas atividades. Ela me expôs uma idéia sensacional que não havia imaginado, e que poderia resolver algumas dificuldades encontradas durante as compras.


Imaginem se os produtos fossem colocados verticalmente... Ao invés dos produtos da mesma família-marca serem dispostos todos em uma prateleira (horizontalmente), poderiam ser dispostos de cima para baixo como em colunas, ou seja, em todas as prateleiras haveriam os mesmos produtos e todas as pessoas teriam possibildiade de alcançá-los.


O que torna um lugar acessível não é apenas algumas mudanças feitas fisicamente, mas o modo de pensar e agir das pessoas no meio.

Não basta construir ou adaptar um meio físico se as pessoas que convivem não permitirem que todos que precisem sejam aceitos no local, respeitando as áreas adaptadas para permitir então o ir e vir com autonomia.


Não podemos somente pensar acessibilidade como “é lei e preciso fazer valer”, mas “uma situação onde há pessoas como qualquer outra, apenas com uma necessidade específica e devo respeitá-las”.

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