• Vivi Bettoni

A Relação entre Desatenção, TDAH, Comportamento e Aprendizagem na Infância: Fatores e Consequências.

Atualizado: Out 29

Precisamos entender que nem tudo é "má educação"... a desobediência, intolerância, desrespeito, agitação, desconcentração e desorganização podem estar relacionados a transtornos, e a desatenção, hiperatividade são alguns comuns encontrados em crianças na idade escolar.

Comecei a estudar sobre esses assuntos a partir do nascimento prematuro de meu filho. Você sabia que crianças prematuras tem grandes possibilidades de apresentar algum tipo de transtorno no qual pode interferir no aprendizado? Por isso muitos acompanhamentos terapêuticos foram feitos no intuito de prevenção e desenvolvimento; Enzo não foi diagnosticado com nenhum transtorno mas por sempre estar próxima à escola, pude notar comportamentos diversos e frequentes nas crianças (estudantes).


Esse assunto cabe não apenas aos profissionais de ensino e terapeutas, mas aos pais e toda família. Ao identificar e diagnosticar uma criança com algum transtorno ou problemas de aprendizagem, é de suma importância a cooperação de todos; um trabalho em conjunto.


Convidei uma querida amiga, Alessandra Aranda Nicolau, especialista no assunto para me ajudar evidenciar a importância de se aprender. Ale é Educadora, Psicopedagoga, Mestre em Educação pela UNESP (Marília/SP), atualmente coordenadora do Núcleo de Educação Inclusiva e Formação Continuada da RSP Integral, co-autora de diversos capítulos e livros na área de Educação.


Durante nossa conversa, Ale diz que identificar os problemas de aprendizagem, bem como diagnosticar transtornos é uma tarefa bastante difícil, que exige tempo e um trabalho em conjunto com profissionais, escola e família. Não é apenas o fator "baixo rendimento escolar" que definirá o norte para um diagnóstico, sendo a criança, bem como todo ser humano,com comportamento atrelado a outros fatores como os sócio-emocionais e relação familiar.

Ale ressalta ainda que, "Os problemas de aprendizagem e de comportamento, muitas vezes empregados para designar os termos dificuldades, distúrbios, transtornos e deficiências, são usados de maneira indiscriminada e como se tivessem o mesmo significado, o que é um equívoco, pois se trata de quadros diagnósticos diferenciados."


Dessa forma, precisamos nos atentar com a terminologia utilizada. Alessandra cuidadosamente selecionou e resumiu um pequeno conjunto de terminologia que devemos buscar enquadrar adequadamente ao referenciarmos. São essas:


- Deficiências (visual, auditiva, física e/ou intelectual) – a pessoa com deficiência é quem apresenta, em caráter permanente, perdas ou anormalidades de sua estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica, que gerem incapacidade para o desempenho de atividade, dentro do padrão considerado normal para o ser humano. Decorrentes de causas intrínsecas ao sujeito.

- Transtornos - se referem a um grupo mais específico, caracterizado por uma disfunção neurológica e/ou neuropsicológica que é responsável pelo insucesso de aprendizagem (leitura, escrita e/ou no cálculo matemático) ou de comportamento (desatenção, hiperatividade, impulsividade, agressividade, violação de normas ou regras sociais relevantes e apropriadas para a idade, humor raivoso e/ou irritável, dificuldade em interagir socialmente). Decorrentes de causas intrínsecas ao sujeito.

- Dificuldades de Aprendizagem - é o termo mais global para designar os problemas de aprendizagem decorrentes de causas pedagógicas (problemas de ensinagem/metodologia), sociais (condições socioculturais / ambiente pouco estimulador), ou seja, causas extrínsecas ao sujeito.

"Em qualquer um dos quadros, o diagnóstico não define quem é o sujeito. O diagnóstico permite que possamos entender algumas coisas sobre ele. Assim como todo mundo, a pessoa com deficiência, a pessoa com transtorno, a pessoa com dificuldades de aprendizagem tem sua história, é diferente, é único!" ; complementa Alessandra.

Dentro desse contexto, Ale diz que deveríamos substituir a terminologia DISTÚRBIO por TRANSTORNO, ela explica:


"Distúrbio é um termo utilizado apenas no Brasil, em virtude de equívocos na tradução literal da designação federal nos Estados Unidos para condições desabilitantes, em 1968, [...]”, relacionadas à classificação e à definição de Learning Disabilities (FLETCHER et al., 2009, p. 15). Contudo, apesar de ser muito usual na nossa literatura, optamos pelo termo Transtorno de Aprendizagem e/ ou de Comportamento coincidindo com as nomenclaturas médicas e científicas mais atuais".


Nossa conversa continuou e seguimos para os questionamentos sobre Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH):

1. Quais comportamentos podem indicar se uma criança tem um déficit ou dificuldade de atenção?

"O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é intrínseco ao sujeito, é biológico e não transitório em virtude da situação exposta, além disso, deve ter um padrão persistente (mínimo de três contextos diferentes – casa, escola e outros ambientes) de desatenção e/ou hiperatividade e/ou impulsividade que interfere no funcionamento ou no desenvolvimento. A desatenção manifesta-se comportamentalmente no TDAH como divagação em tarefas, falta de persistência, dificuldade de manter o foco e desorganização – e não constitui consequência de desafio ou falta de compreensão. A hiperatividade refere-se a atividade motora excessiva (como uma criança que corre por tudo) quando não apropriado ou remexer, batucar ou conversar em excesso. A impulsividade refere-se a ações precipitadas que ocorrem no momento sem premeditação e com elevado potencial para dano à pessoa (p. ex., atravessar uma rua sem olhar)".

2. Essa dificuldade de atenção pode estar correlacionada, ou presente em outros transtornos, como por exemplo, autismo, dislexia, disgrafia entre outros?

"O TDAH é um transtorno neuropsiquiátrico com alterações neuroquímicas acometendo o comportamento e não a aprendizagem. Contudo, pode co-ocorrer com outros transtornos e apresentar baixo desempenho educacional em função de fatores atencionais; memória de trabalho; desenvolvimento da linguagem; obediência às regras; regulação das emoções; motivação e estado de alerta; desempenho de tarefas e trabalhos, entre outros".

3. Como pode ser diagnosticado?

"O diagnóstico deve ser realizado por uma equipe multiprofissional, ou seja, é necessária uma abrangente avaliação comportamental, psicológica, educacional e, certas vezes, médica seguida de orientação e intervenção clínica e educacional ao indivíduo e/ou aos familiares, quanto à natureza do transtorno".

4. Ao ser diagnosticado, como trabalhar os comportamentos? Com o amadurecimento, é possível reduzir as características e melhorar o comportamento?

"O desempenho dos escolares com transtorno de aprendizagem e transtorno da atenção melhora consideravelmente a partir de determinadas condutas e manejos adotados pelos professores. A escola é um ambiente psicoeducacional e o professor deve estar muito bem informado para saber reconhecer os sinais precoces das dificuldades e transtornos, realizando o primeiro filtro de habilidades e desabilidades do escolar. O maior desafio escolar é saber intervir educacionalmente e não clinicamente".

5. Se não houver acompanhamento profissional, quais as consequências para essa criança, jovem ou adulto?

"Elevada taxa de prejuízo acadêmico e no convívio social, dificuldades nas interações pessoais e familiares; baixo desempenho em memória, esquecimentos de responsabilidades, com pouca capacidade de organização e um ritmo de trabalho lento;

Baixa capacidade de organização, de planejamento e para fazer uso de estratégias eficazes, modificando-as, quando necessário, para atingir um objetivo".

6. Qual a importância do apoio da família, escola na identificação do comportamento, encaminhamento para profissionais bem como acompanhamento do desenvolvimento?

"O papel da família é fundamental para que os manejos e adequações comportamentais sejam aplicáveis em todos os ambientes, para que sejam duradouros e contribuam com seu desenvolvimento pessoal e, futuramente, profissional".


Alessandra ainda ressalta, o termo TDAH é predominante em três pontos:

*TDAH com hiperativo/impulsivo predominante

*TDAH com desatenção predominante

*TDAH misto (hiperativo/impulsivo) + (desatento)


E para complementar, segundo a literatura, os sinais de comportamento que definirão um norte para o diagnóstico também diferem para homens e mulheres, por isso é importante conhecer bem o assunto e trabalhar em conjunto com outros profissionais.


Agradeço a Alessandra por nos permitir aprender!


Depois disso tudo, você reconhece que INCLUSÃO é para todos?

Incluir é dar as mesmas condições de acesso, mesmo que algumas coisas precisem ser adaptadas; não é apenas o ato de aceitação ao meio.

Aceitar é integrar, mas Incluir é dar condições equitativas para que aqueles que tenham alguma dificuldade possam ter o mesmo acesso que os demais.



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