• Vivi Bettoni

Você realmente inclui ou apenas integra?

Atualizado: 12 de Ago de 2019

Entendendo as diferenças entre inclusão e integração


Essa pergunta não é apenas para as escolas (gestores e educadores), mas também para os pais, famílias e sociedade de modo geral.


Quando nós pais buscamos uma escola, clínicas, academias, institutos, enfim, lugares que irão apoiar nossos filhos no desenvolvimento, nosso olhar precisa ser diferenciado para o que estamos acostumados, porque PCDs, crianças com síndromes e transtornos, precisam de uma outra leitura de vida, não apenas integrá-lo mas incluí-lo de fato.


Mas você sabe o que é Integrar e Incluir? Há muitos pesquisadores que estudam e defendem idéias para justificar diferenças entre essas duas palavras, cada qual em sua área de atuação, alguns criando a idéia de que antes de qualquer inclusão o fator psicológico e social precisam ser preparados, e outros como junção de metodologias que devem ser aplicadas. Mas no meu ponto de vista, as idéias poderiam ser misturadas e dosadas de acordo com as necessidades e vivências, uma poderia ser complementar a outra.


INTEGRAR, segundo seu significado, refere-se ao ato de “incluir algo ou alguém em um grupo, incorporar, permitir/ aceitar a entrada de alguém a um grupo fazendo sentir-se como membro desse grupo”.


INCLUIR, segundo seu significado, refere-se ao ato de “inserir, introduzir, fazer-se admitir em um grupo, sociedade”.


Embora os dois verbos pareçam ser sinônimos, eles podem diferir em seu contexto quando utilizados; abre então, uma oportunidade para algumas interpretações diferentes.


Uma grande parte das interpretações do “Integrar”, de acordo com alguns estudos, artigos e até mesmo discussões sobre inclusão social, leva a entender que, consiste em aceitar alguém em um grupo sem preocupar-se com a necessidade de adaptação de seu meio; é simplesmente o aceitar.


No Incluir, o fazer-se admitir ao um grupo leva a interpretação de que vai além do aceitar... consiste em provocar mudanças que vão desde paradigmas psicológicos, sociais até adaptações físicas quando necessárias.

Há muita dificuldade em entender as diferenças e por isso todos acreditamos que o fato de aceitar uma criança com deficiência, síndrome ou transtorno na família, escola, academias, clínicas, lugares públicos enfim, já está sendo iniciada sua inclusão social.

O fato é que, para incluir de verdade, primeiramente deve-se acontecer a aceitação, e na sequência, despertar um olhar diferenciado para tal condição, de forma a proporcionar mudanças necessárias para que, além de sentir-se em um grupo, a pessoa sinta-se capaz de realizar o que lhe for proposto; é apresentar igualmente oportunidades de acesso aos serviços e meios físicos.


Na família, podemos começar por aceitar a realidade, buscando adaptar o necessário para ajudar no desenvolvimento, seja por modificações da casa, brinquedos alternativos, adaptações para possibilitar o desenvolvimento e autonomia da criança com segurança, e orientação aos profissionais que assistem ou assistirão seu filho, sobre como ele é e faz, como tudo funciona. Isso ajudará a escola e demais locais serem extensores de casa e consequentemente acompanharão a rotina que seu filho precisa para sentir-se seguro nas atividades.


Na escola, desde gestores, educadores e demais alunos, todos devem ser preparados, orientados como proceder, desde aceitação de forma natural até como podem contribuir para que a criança PCD, com síndrome ou transtornos possam realizar a mesma atividade que todos em sala de aula.


Na minha concepção como educadora, pesquisadora e mãe de pcd, a escola não deve escolher o que ensinar para a criança “acreditando” que ela não irá acompanhar todas as atividades por apresentar deficiência ou dificuldades de realização. Se a criança possui limitações que ainda assim a permite participar, a escola (gestores, professores) devem buscar alternativas para ensinar o que proprõe a todos, de uma maneira que as que tenham dificuldade ou não possam também aprender (materiais de apoio e metodologias diversificadas). Devem ainda fazer o engajamento dos demais alunos para que possam ajudar no processo de ensino-aprendizagem, visto que, eles também ganharão muito conhecimento humano e poderão desenvolver novas posturas e habilidades que serão importatíssimas no futuro.


Você teve dificuldades em encontrar lugares, seja escola, clínicas, academias... que aceitassem seu filho de uma maneira natural? Eu digo a vocês que tive algumas experiências negativas nas quais deixaram-me com sentimento de decepção. Sem deixar-me desistir, continuei a jornada até encontrar um lugar que o aceitou de uma forma bem natural e ofertando apoio necessário. E mesmo sem saber muito sobre inclusão, buscava orientá-los no que conhecia e os incentivava buscar cada vez mais informações para que um dia a escola esteja totalmente preparada para inclusão. Um trabalho em conjunto: família e escola, e você pode perfeitamente contribuir.


Hoje está sendo cada vez mais comum diagnosticar síndromes e transtornos; e isso faz com que as escolas iniciem uma mudança de postura diante do ensino com olhares para cada tipo de situação. Nesse caso o ensino não pode ser individualizado, mesmo porque isso não seria inclusão, mas com maneiras diferenciadas de ensinar, provavelmente ajudará todas as demais crianças que mesmo não possuindo síndromes, transtornos ou deficiência, possuem estilos de aprendizagem diferentes, e seriam igualmente beneficiadas pela mesclagem de metodologias.


Por exemplo, em casos de crianças com dislexia, síndrome de Irlen, dentre outras presentes nas salas de aula, onde a dificuldade consiste no aprendizado através da leitura e interpretação da escrita; como proceder para ensinar ou mesmo não avaliar erroneamente essa criança? Primeiramente, fazer o diagnóstico certo quando suspeitar que algo não está em conformidade com o que se apresenta. Então, deve-se entender como a síndrome ou transtorno funcionam para saber quais materiais ou situações darão apoio para que a aprendizagem também aconteça. Em um outro exemplo, uma atividade esportiva, um “não pular”, não significa que a criança não poderá concluir o circuito de exercícios, ela poderá rolar ou mesmo caminhar até a próxima etapa e concluir, da sua maneira, o que lhe foi proposto.


Na sociedade, no ambiente de trabalho, isso não é muito diferente. Não basta aceitar que crianças, jovens ou adultos utilizem locais convencionais para brincar, locomover-se ou trabalhar, é preciso que esses locais estejam adequadamente preparados para que o trabalho, as brincadeiras ou mesmo a locomoção aconteça com segurança e acesso total.


Buscando sempre informações corretas com profissionais especializados, orientações sobre “como fazer”, você estará ajudando não apenas seu filho a se desenvolver, mas a sociedade a construir um novo jeito de viver, respeitando o tempo e o modo de ser e fazer de cada um; um incluir de forma natural.

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